ODE A UM POETA
À memória de Horácio Dídimo
Semeador da harmonia e da beleza,
Da terna e vaga música diuturna.
Voz superior da natureza... Vais,
À universalidade das estrelas.
A emoção, que escorre das coisas,
fala — pela tua palavra irisada —
Desde a vida sutil da borboleta
À alma leve das águas e das flores.
A sutileza platônica, a doçura,
O lirismo do Cântico dos Cânticos.
A tua Alma, em outras entidades...
E, tranquilo, poeta, te partiste,
Deixando atrás de si flores e frutos
— No limiar das eternas primaveras.
Vicente Freitas
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