Flora
Por que todos usam máscaras e você não? É só escolher, tem tanta opção. Mal sabe você, essa peça é atemporal, teatro universal. Como pode alguém estar em arte tão salutar sem ao menos representar? Não é boa da cabeça ou só quer se vangloriar de uma caracterização que ninguém sabe como alcançar. Vai saber. Pode ter vindo de outro lugar, daquele lugar onde as pessoas não gostam nem de comentar, ainda mais pisar. Estou querendo dizer...deixa para lá. É melhor me calar. Apresente-se, represente-se, alguma máscara a de se revelar. Silêncio. Flora. Ao menos um nome. Louca de tudo, talvez não. Mas vamos lá, quero te ajudar ou atrapalhar. Há tanta translucidez em seu olhar que por aqui não vai se arranjar. Ficará logo só. Como alguém com apenas uma face vai sobreviver nas farsas do dia-a-dia. Vou tentar pela última vez: quer ensaiar comigo o próximo ato? Sim. Então vamos lá. Já que não tens outra carapaça, vou tentar improvisar. Neste mundo, algo se faz, logo outra se desfaz. Tudo é volátil, líquido e fluido. Na maior parte do tempo sem sentido. Obrigada pela explanação, meu nobre cidadão. Agradeço de coração. Porém, prefiro me retirar e retornar para o tal lugar. Cujo senhor nem ousaria lapidar. Pois é lá no gueto, dos desmascarados, que irei de ficar, edificar, desfrutar, florescer, florir. Flora.
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