Subtil ....

Subtil o que sofro,
Quero sentir de outra forma pois sinto
Em forma de nada o meu querer,
Falta-me o oscilar do salgueiro ao vento,
Falta-me o sonho dentro do sonho,
-Fala-me da realidade curva e as cores,
Da forma que tem o tempo sem ter,
Em forma de álamo o meu querer …
Paisagem num quadro, uma subtileza
Em cristal, um átomo a oscilar no tempo,
O espaço, um intervalo nulo, o meu ser
Embala-me no vulgar soprar – o ar,
Poeira inquieta o que tenho e não quero,
Milimétrico eu, vulgar sopro o que penso
Ser viver neste viver sem vida, que quase
Toco sem que me toque ela outra …
Falta-me a sensibilidade negra do corvo,
Fala-me da ausência e da conclusão do dia,
Da hora tardia, fala-me da promessa
Não cumprida, do sermão e da dúvida
Necessária pra nos mantermos espíritas
E em forma de ar, o nosso ser sitiado,
Enfermo e em forma de nada mais
Que ar e ar, de mar cercado e sem saída.
Quero sentir-me de outra forma que não preso
Ao corpo nem à vida, sútil ao sopro,
Subtil é o que sofro.
Jorge Santos 09/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
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2019-05-17
Quero sentir-me de outra forma que não preso Ao corpo nem à vida, sútil ao sopro, Subtil é o que sofro.
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