Amor, sem ti sou ausente
Sou vida virada do avesso
Sou história sem fim, sem começo
Sou histrião descontente

Sou noite sem luz, sem luar
Sou lua em fase minguante
Sou o inferno de Dante
Sou dançarino sem par

Sou o inverno chegando
Sou um caminho sem fim
Sou máscaras fixas em mim
Sou um errante buscando

Sou a mão gelada da sina
Sou passarinho em gaiola
Sou cativo preso em argola
Sou a música que desafina

Sou folha solta ao vento
Sou a poesia que espera
Sou saudade que dilacera
Sou dia que passa lento

Sou o que guardo de ti
Sou a distância que dói
Sou o tempo sutil que corrói
Sou a sombra do que eu vivi
 
Sou barco cuja vela rasgou
Sou imitação de mim mesmo
Sou meus passos andando a esmo
Amor, longe de ti, nada sou
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