DENTRO DO MEU EU

Quisera eu andar na linha dos meus sentimentos nobres, não desviar nem para a direita, nem para a esquerda, seguir em frente, olhar adiante, ver o horizonte, ver além. Estar seguro de que todas as coisas estarão no devido lugar, esperando-me quando ela voltar. Quem sou eu nesta guerra? Um soldado valente, cheio de cicatrizes causadas pelos inimigos nas batalhas, mas vivo persistente. Carregando os fardos, as dores e o medo na constância da morte, por sorte ainda sigo andando. Sou afligido todos os dias, vejo loucuras nos campos de batalhas, nas ruas, homens e mulheres clamando, seus filhos chorando, para que no plano do inimigo hajam falhas, para que não os consumam sem piedade, em verdade também presencio deliberada maldade. Andar na linha dos meus sentimentos virou tormentos, quem curará as minhas abertas feridas pelas ceifadas vidas, quem me dará conselhos, quem apagará da minha mente toda a angústia que assisti nos dias negros em que vivi? Me dirá: o tempo. Ah! Este já nos consome, ele é implacável, irreversível, intangível, ele sim apaga as nossas memórias, mas apagam-nas e apaga-nos por completo, o invisível. Enquanto vivemos carregamos resquícios de tudo que há em nós, passado ou recente e nisso tudo está pensativa a minha mente, enquanto escrevo a minha alma geme, os meus olhos puseram-se a chorar um chôro triste, o meu espirito pôs-se a clamar, o meu coração quase fibrila e os meus sentimentos fervem dentro de mim, volte para me acalmar, me fazer dormir com a sua voz da melodia do som da harpa, e me fazer sonhar com a melancolia dos seus carinhos do som do violino. Assim faze-me esquecer de tudo sobremaneira sem me apagar por completo e, auxilia-me na luta desta guerra que batalha dentro do meu eu.
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