Deslocamento onírico
De alma nua, largo a tudo
o que me prende as amarras do nomeável.
Em mim, sonhos leves, dependurados
no solar da existência acenam ao lírico ser.
No varal, luminosas vestes
Estendem meus tortos anjos
o pensamento em todo meu interior.
Esse cântaro a encher de oníricas imagens.
Santuário meu, e imaginário que me fala a alma.
Meu trampolim para o imponderável. Alegoria de mim
Corda que se rompe ao equilibrista o elo com a realidade.
Queda livre para fora da existência.
São veleiros lançados a alma.
Sopros num barquinho de pensamentos,
que movem-se ligeiros para além do cais,
e vão além da linha aparente do horizonte.
Lá onde descanso, longe do mecanismo vil
Lá, onde Fazem-se líquidas as fronteiras.
O avanço a dobra do universo, minha alucinação
meu silêncio, meus sonhos, meus anjos, meus demônios
Minha paz!
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