Larga Narciso
Mirando o lume das águas do lago
vinha a mim em glória, o espelho.
Projetava-me em tudo, belo narciso
Ia a ponto de afogar a mim mesmo.
Um dia a olhar o horizonte do cabo
surpreendi-me a enxergar vesgo á linha.
Tudo tangia a um único ponto, a ponta do meu nariz.
Inclinado, pendente, atravessado.
Sabendo dos perigos do mal enxergar
e da vaidade que muito um poeta pode atormentar
Retornei aos versos que fizera no passado
O que era Narciso, antes a beleza da fonte
O que era oblíquo, antes a linha horizonte
O que era escrito, antes contemplação e espírito
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