FRACASSO
A força que conduz à vida na batalha pela vitória, o sangue quente que corre nas veias, o pensamento que não sai da memória, pela tentação da boca sedenta em provar o gosto do que serpenteia na língua de uma hipnotizante sereia, as pernas trôpegas que cambaleiam, ao sentir o toque envolvente de uma serpente, que com a sua escama quente e o veneno ardente, paralisam os órgãos letargicamente, rumando à morte o corpo que sente o calor da víbora incandescente. É na garganta que o sufoco é premente, morde a carne sangrando os dentes, o gosto é amargo de fel aparente, se morre se mata, foge e se esconde, a loucura vem trotando, cavalgaduras de onde? Dos céus descestes aos infernos, tão vermelhos fogos eternos, calorias nos teus invernos, mas teu corpo retroage, teus membros encolhidos, teus escudos hão partidos, são frechas agonizantes, nas aljavas e nos arcos tesos, são espadas reluzentes, rostos implacáveis de guerreiros miseráveis para te socorrer. Haja vista de que vá morrer pelo veneno ardente da serpente, no beijo da sereia, que a língua serpenteia, se o corpo ainda guerreia, há antídoto suficiente, mas a alma que rasteja e o espírito claudicante e a morte que festeja o teu fracasso e derrota almejados, trespasse o teu peito nos lados com frechas agonizantes, com arcos tesos esvaziem as aljavas, antes fosse morte com clavas, e as espadas reluzentes que fatiem e matem também a serpente que antes te tentava.