Sem formigueiro


Há uma formiga à andar longe do
caminho traçado,

À observar as trilhas perpétuas ,formadas

E seus irmãos correndo, fugindo
sempre das estações.

A rainha deu ordem de proibir-lhe a
entrada

E planeja com suas asas que o futuro
vire concreto borbulhante,

E que a rebeldia beije o desespero e
a inanição.

O poder não admite que nuvens
brancas: pairem e desenhem,

E todos os dias os olhinhos óctuplos são redesenhados e conformados

Em ver tempestades colossais.

Formiga sem formigueiro quem sabe nem
és formiga!

E das suas alturas enxerga...

... Que os excrementos possuem belos órgãos
sexuais que trancam os ferrolhos

Da percepção.


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