NO OLHO DA ESCURIDÃO
No arcabouço que sustenta os órgãos, em perfeita simetria os membros, tantos e tantas por aí, não há iguais, semelhanças sim. Memórias e pensamentos, rudimentos desde a fundação dos tempos, homens, mulheres e animais, todos providos de alma e espírito. Capacidades intelectuais humanas, instintos animais originam de homens e mulheres. Belezas, grandezas, e riquezas, elevadas criaturas, suas faces em suas molduras. Disparate à realidade do outro mundo, desprezadas belezas, pobrezas. Criaturas inumanas. Quem as abandona no olho da escuridão? Talvez as suas próprias sortes ou um destino fatídico. De que vale um rico sem o pão da alma e um miserável sem o perdão da fome? Quem governa o sentimento da maldade? Não o homem e sim o lobo que nele habita. As classes do desequilíbrio, malabarismos para ver um dia aceitável no olho da escuridão. Teus membros, teus órgãos, tua afeição; tuas vestes, teus calçados, tua imaginação; tua alma, teu espírito, tua aura longe da tua habitação, aonde se chega andando vai-se de avião, para quê adianta dois olhos no olho da escuridão, se se é humano e não um irracional com noturna visão, porque a fome, a sede, e a doença não pedem licença e não há quem convença um ventre vazio sem um pedaço de pão.