gambiarra
fui menino pobre morando em barracão
e o vizinho nos cedeu um bico de luz.
as lâmpadas como um rosário de garças
luminoso sobre o rio nos fundos do quintal.
telhado bicado por pássaros era de zinco.
menino auditivo tinha uma vantagem para a poesia,
ser poeta é obedecer ao delírio,
mas eu, navegando às escuras,
não sabia onde estavam as palavras
e Quintana me cedeu um bico de luz,
Bandeira me cedeu um bico de luz,
Drummond me cedeu um bico de luz
e fez-se a nitidez de outono,
o poema inteiro iluminado,
navio ancorado em noite de festa.
há poetas que puxam um bico de luz...
Rosa cedeu a Manoel de Barros um bico de luz,
Zequiel - ele igreja as árvores.
minha barba me avisa que estou acabando...
por um tempo vivi com morcegos sob um bico de luz.
agora fui à Light,
já tenho a minha própria luz.
e ontem apareceu uma menina,
pedindo que eu ceda um bico de luz,
vou ceder...
avareza, abismo,
tudo entra, nada sai.
e o vizinho nos cedeu um bico de luz.
as lâmpadas como um rosário de garças
luminoso sobre o rio nos fundos do quintal.
telhado bicado por pássaros era de zinco.
menino auditivo tinha uma vantagem para a poesia,
ser poeta é obedecer ao delírio,
mas eu, navegando às escuras,
não sabia onde estavam as palavras
e Quintana me cedeu um bico de luz,
Bandeira me cedeu um bico de luz,
Drummond me cedeu um bico de luz
e fez-se a nitidez de outono,
o poema inteiro iluminado,
navio ancorado em noite de festa.
há poetas que puxam um bico de luz...
Rosa cedeu a Manoel de Barros um bico de luz,
Zequiel - ele igreja as árvores.
minha barba me avisa que estou acabando...
por um tempo vivi com morcegos sob um bico de luz.
agora fui à Light,
já tenho a minha própria luz.
e ontem apareceu uma menina,
pedindo que eu ceda um bico de luz,
vou ceder...
avareza, abismo,
tudo entra, nada sai.
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