poema degradado
aguardando navios o cais apodrecido
a cidade comercial um joelho que se dobra
meu joelho não se dobra
dessa terra de laranjas
eu herdei a acidez
a pedra aberta por um raio
homens com mãos fechadas
mãos de pedra só abertas
por um raio e o rio
tão sujo como a política
impossível não manchar as asas
desenrola língua negra
veludo preto
onde presas as derrotas que vende
o barquinho de papel tropeça nas ondas
o tempo para com as garças
a garça plágio do urubu
que se limpa com palavras
vem todos os dias
empoleirar-se no meu verso
com sua visão binocular
enardecer
um mostruário de misérias.
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