Destino
Madrugada a dentro sigo acordado, o sol está quase raiando e ainda não preguei o olho. Lembrando das carícias que me fazias em noites frias, nas quais era aquecido pelo calor do teu corpo, me ponho agora trancado no quarto escrevendo meus sentimentos vazios em folhas sujas e amassadas. O silêncio ensurdecedor é quebrado pelo TIC TAC do relógio na sala de estar. Fazem meses que não sinto tua presença aconchegante, que não te toco, que não te beijo. O tempo passa rápido e devagar ao mesmo tempo, mas teu cheiro continua impreguinado no meu ser em pensamentos. Prometi a mim mesmo que não tentaria promover encontros entre nós dois, que para me deixar mais angustiado sempre davam errado. Deixei a cargo do destino tramar novas convergências dos nossos caminhos, mas todo dia rogo ao senhor destino que seja rápido em fazer-me te reencontrar. Enquanto isso, sigo tentando afogar as mágoas na bebida e compartilhando meus escritos com a saudade e a melancolia, que já se tornaram minhas amigas inseparáveis. Não que eu goste delas, mas porque insistem em não ir embora. Estamos tão intímos que todos os dias as cumprimento por serem tão companheiras.
Diones Batista
Diones Batista
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