Jornada etérea

Expiro da luz ténues sombras
Encrustadas nesta meiga melancolia
Para que depois nenhuma dúbia palavra
Feneça entre o halo deste silêncio repressivo
Nesta longa jornada etérea caminho léguas
Rumo à doce e peregrina esperança persuasiva
Além onde passeiam caricias ressacadas
Recostadas nesta propicia fantasia tão ostensiva
Supre-me esta noite proscrita toda a solidão abusiva
Mascarando cada hora errante fluindo num eco traquina
Fadado a uma fé e a uma oração decerto mais adesiva
Desliza nas memórias rentinho à saudade uma lesada
Lembrança quase erosiva, deixando um póstumo e inflexível
Silêncio a deambular na madrugada envergonhada e irredutível
Frederico de Castro
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