ARTE DE FAZER AMOR

Agora sinto queimar-me o peito
o fogo das dúbias paixões humanas.
Incendiando nossos corpos nus,
suados,
inuptos,
ilapsos,
esputos,
provocantes,
ávidos,
vulgívagos
e instigantes.
Num roçar de peles
e de bocas estuantes,
lascivas,
êxprobas,
sôfregas,
ofegantes.
Na cama, brutalmente, a gente se ama
e já no chão, animalescamente, a gente se devora, 
se assanha,
se morde,
se lanha,
e se arranha
nas loucuras de visceral paixão.
Arte de fazer amor.
A pele escrevendo
indizível  arte de fazer amor:
impetuoso instinto!
A gente se lambe,
se esvurma,
se esfrega
e se lambuza
em delírio total
se entrega.
A gente se contorce,
se retorce,
se rebuça
e se estrebucha
no clímax do prazer carnal.
...
Intermezzo
...
Engendram-se as cenas
do próximo ato:
nossos corpos desasidos
novamente se procuram.
Beijos quentes
em vulvas úmidas
decretam o fim da censura.
Rios de leite desaguam
na desembocadura de mel
e num cantinho da terra
a gente pinta um pedacinho do céu!
Arte de fazer amor.
A pele escrevendo
indizível  arte de fazer amor:
impetuoso instinto!
Fogo fino, fluxo vivo.
Fôlego firme, febril.
Vai e vibra, verbo voa!
Volta e vira juvenil.
Rima, roça, ritmo roda.
Roda, roça, rima risca.
Pulso, pulsa, passo, passa.
Brisa brilha,  mente pisca.
Laço leve, lance longo!
Lume, lúcido, legal!
Arte ágil, atual.
Tua alma - alinho natural!
Corre, cobre, cola, cria,
corre, cuida, cai no som.
É amor em alta voltagem;
arte pura em cada tom.
Arte de fazer amor.
A pele escrevendo
indizível  arte de fazer amor:
impetuoso instinto!

AMOR PRA VIDA INTEIRA



 

 

 

 

 

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