Folha solta
Flutua a folha verde como asa delta solta no ar
Desfolhada que foi pelo agito do vento no galho da árvore
E lá vai ela num vai e vem frenético sem som
em descida ascendente decadente... Imponente!
Plaina suavemente na terra molhada como em câmera lenta
O verde claro me acena num resíduo de esperança enquanto pousa.
Mesmo misturada na poça de lama, ela se impõe e transcende
Na flâmula do verde louro dessa terra barrenta
Sofrida, sorri entre os madrigais que a rodeiam
Em pleno verão desprendeu-se árvore sua raiz mãe
No novo e pleno ciclo do cisco, vai fertilizar o chão que caiu
Sua nova morada, a terra, o chão que surgiu.
Fora de sua fonte de vitalidade, o pó volta ao pó
Assim é a vida... Esperança contida,
Germina sempre de uma forma ou outra.
Pedro Luiz Almeida
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