NO PROFUNDO DAS ÁGUAS

Atirei uma pedra ao mar
E a esperei tornar à superfície,
Esperei por pura ignorância.
Pequena rocha não flutua, mas esperei.

Porque a comparei aos meus sonhos,
Que a muito desapareceram
Feito imersos no profundo das águas,
Mas vivo ansioso em alcançá-los.

São anseios que há tempos,
Espero com paciência e zelo,
Não desisto em vê-los realizados,
Assim como a pequena rocha
Tornar à superfície, transformada.

A natureza muda de tempos em tempos,
Muitas coisas se transformam,
E os nossos sonhos estão lá tão longe,
Ou às vezes tão ao nosso lado.

Nisto ponderei as águas e ondas do mar,
Elas que suscitam tantas coisas,
Levando e trazendo esperança e vida,
Muitas vezes se limpando da sujeira.

Que quando se embravecem,
Podem destruir tudo pela frente
E lançam fora ou sugam para o fundo,
Pois tem poder para expelir
Tanto quanto para engolir ao irarem-se.

Mas o que diria? Realizar sonhos
Sob a tempestade de águas
Ou aguardá-los lentos
E nunca os trazerem á tona?

As tempestades são as lutas,
A calmaria é o vício do ócio,
O comodismo farto do dia a dia,
A inerte energia que não se desprende.

Enfrentando a braveza das águas
Aguardando-a devolver minha pedra.
Meus sonhos realizados que voltarão,
Transformados na realidade que almejo.
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