Odeio vocês
Eu odeio você. E odeio elas. Basicamente, odeio todos vocês. Odeio qualquer um que tenha se aproximado de mim nos últimos meses. Odeio qualquer indivíduo que tenha feito eu pensar de forma tão ingênua e ilusória que eu era capaz de criar laços verdadeiros e consistentes com seres humanos reais. Odeio que tenham feito eu sentir que poderia cultivar afeto sem me machucar, ou que poderia manter um relacionamento amigável sem poder voltar atrás numa queda livre. Como se cada um tivesse pintado um céu azul e, logo em seguida, me pegando de forma desprevenida, tivessem derramado uma tinta cinza por cima. Como se o desfecho fosse mais atraente do que a própria história. Senti. E agora não sei como retornar à minha origem. Há algum tempo, fui arrastado para fora de meu templo pessoal, e agora só posso acompanhar as lágrimas que escorrem pelas suas paredes. A solidão enfeita a paisagem que antes já tinha um clima mórbido. Era tudo mentira. As palavras eram vãs e eu não percebi. Silêncio. O que há em mim de tão estúpido? O que transmito nas minhas atitudes? Como passo uma imagem tão vulnerável? Como pude te mostrar tudo isso de forma tão rápida e fatal? Não tenho ninguém agora que possa juntar meus pedaços. Nunca tive ninguém que me desse valor ou credibilidade. Tampouco tenho agora. Por isso, odeio todos vocês. Odeio elas. Odeio você. Mas no fundo, isso é um pedido de ajuda. E eu me odeio por isso.
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