GARIS

As folhas do saber
Brotam dos pés de papel
Boiam como rolhas
Velando lâmpadas acesas
Com azeites das virgens olivas
Entre restos de banquetes
E férteis favas de mel
As abelhas leem ceras
Entumecem a celulose
Em meio a moscas cupins e traças
Formigas e larvas baratas
Fornicam nos escarros
Luzidias de riquezas avaras
Patinam na metamorfose
Vespas e besouros arquitetam
As trêmulas laminadas asas
Pássaros aninham gulosos
As trôpegas lacunas
E o microcosmo pulula
Perde-se nos rumores
Em suas covas rasas
E as borboletas sóbrias
Partem das várzeas
Íntimas e rasteiras
Voando misericordiosas
Sem importarem-se
Com os abutres que sorriem
Das nossas náuseas

Cândidas mãos nuas
Abnegam rudes gentis
Recolhem restos da noite
Transportam fétidos containers
Apanham as máculas mundanas
E ainda cantam e sorriem
Como a segurar Portinaris
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