ONDE ALMA SOU
O que hei de te dar eu nestes dias de solidão em que nada tenho recebido, em que tem sido privado de mim carinhos, tua presença física, afeto, tuas juras, e o amor que me prometeu? O que hei de esperar eu, quando olho o vazio do espaço e vejo como se fosse dentro de mim. Vazio, úmido, frio e silencioso. Quero rasgar as minhas vestes e prantear um choro que estremeça a minha alma. Varrer para fora todos os sentimentos que me ferem. O que te darei eu? A carência tua que me invade, que me faz cidade inabitada. Um homem sem esperanças é uma locomotiva descarrilhando, quem a colocará de volta aos trilhos? Quero te dar tudo que tenho, muito além das minhas forças, estas que levaste quando foste de mim. O amor, o teu amor era o alimento que me saciava a alma, a tua presença era o calor que me aquecia o peito. Ainda lembro daqueles dias em que eu era vida, ser que andava relutante, mas memórias são esquecidas, e onde alma sou, há apenas recordações.