O pastor

Leva cada rebanho de silêncios ali a pastar
Aconchega a solidão nos seu braços e com
Ela dormita no aprisco da esperança apaziguada
E quando a noite de mansinho se põe além
Num acto sublime de amor recolhe, uma a uma
No cortelho da esperança persuadida e almejada
Com sua samarra bem aconchegada acoita-se
Do frio e da brisa ventando na refrega do desgarrado
Sonho balindo cabalmente fecundo e combalido
No diâmetro de uma solidão tão vagabunda
Domestico cada eco que se expande no tempo abolido
Oh, ruminante ilusão regurgitada neste silêncio expedito
Frederico de Castro
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