Quarta-feira: Kairós
Quarta-feira: Kairós*
Chove abruptamente: Kairós.
Além, Lisboa que deixo em transe,
como se a perdesse de vista,
e alguém dissesse “que descanse.”
Revolvo-lhe os cabelos brancos,
luzes revoltas em abismo
do antigo tempo que a refez
erguer-se dos escombros, do sismo.
Despeço-me, já embarcada,
dos murmúrios todos do cais,
onde atracou um amor breve.
Hoje, levantou vela quem o teve:
vento que subitamente apita
ali, já distante, no mar,
onde nenhum coração grita,
enquanto houver paz e um Lugar.
Chove abruptamente: Kairós.
Além, Lisboa que deixo em transe,
como se a perdesse de vista,
e alguém dissesse “que descanse.”
Revolvo-lhe os cabelos brancos,
luzes revoltas em abismo
do antigo tempo que a refez
erguer-se dos escombros, do sismo.
Despeço-me, já embarcada,
dos murmúrios todos do cais,
onde atracou um amor breve.
Hoje, levantou vela quem o teve:
vento que subitamente apita
ali, já distante, no mar,
onde nenhum coração grita,
enquanto houver paz e um Lugar.
*Em grego: καιρός, "o momento oportuno", "certo" ou "supremo".
Marília Miranda lopes
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*