Cada degrau

Cada degrau range em silêncio quando
Pisamos a fasquia do tempo esquecido
Ali onde mora uma hora carcomida…tão fatídica
Cada degrau range devagarinho pois o
Caruncho da solidão impensada corroeu
Cada lance da ilusão sitiada numa palavra aliada
Passo a passo subimos e não chegamos
A lugar nenhum porque no corrimão dos silêncios
Mora uma saudade erecta e em plena obscuridão
Preso aos balaustres da vida, do subterrâneo até
À mansarda vislumbro cada lancil onde as pegadas
Do tempo pousarão por fim felizes e homologadas
Frederico de Castro
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