Rivederti

A luz cambaleia triste e borda cada gomo
De solidão mais vetusta, até abraçar a beatitude
De cada palavra agrilhoada fluindo no meu alaúde
O olhar vazio, olhando além do estuário da vida
Bajula esta ilusão qual pluma esvoaçando entre
As brumas da manhã, esfrangalhada e dissonante
Até se desvendar a noite obsoleta ferida e vigilante
No painel do tempo adentram a alma tantas horas
Saltitantes, tecendo em nós as insígnias do amor
Para que unam eternamente cada incoercível,
Cada inalienável silêncio mais incorrosível
Nos bastidores das memórias abrem-se as cortinas, e de
Lá se encenam lembranças para uma plateia aplaudir cada
Acto trazido à ribalta no proscénio da vida ali a eclodir
Frederico de Castro
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