NUM DIA DE CÃO

Eu vi a rosa desabrochar no campo,
Pétalas vermelhas em um tenro botão, 
Eu vi vermelho no coração do tempo,
O sangue que jorra, não é a vida em vão. 

Eu assisti a plateia eufórica,
Na antiga retórica da insatisfação,
Fugi da maldade na ansiedade,
Fui acovardado por ter comunhão. 

Eu vi o apagar dos olhos do morto,
Seu corpo absorto e manietado,
Eram dentes na presa morta com gosto,
Uma artéria exposta e o couro escalvado.

Eu senti a dor daquele malogrado,
Ouvindo o seu clamor exagerado,
Sem defesa e abandonado,
Enfatizei a morte em seu cuidado.

Eu vi as pétalas da rosa caírem ao chão,
Secas-mortas, não mais crescerão, 
A cor é vermelha, não é o sangue em vão. 
Uma vida a presa, um algoz sem razão. 

Eu travei uma guerra num dia de cão,
Abati um algoz, entoei uma canção, 
Salvei uma presa, matei um leão, 
A rosa é vermelha, não é o sangue em vão.

Ipatinga, 27/02/2019
Erimar Lopes.

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