CANTANDO ‘VAPOR BARATO’
Enquanto parto, choro,
cantando ‘Vapor Barato’,
Escrevendo no vapor que minhas palavras
deixam no vidro do ônibus
Minhas lágrimas também devem se multiplicar
pelo vapor das minhas palavras.
Quando acordar já estarei longe
Longe do alcance da tua voz
dizendo-me coisas que,
se ditas cordialmente,
já não as quereria ouvir
Longe do alcance das tuas desmandadas mãos
Longe dos teus estojos olhares ofensivos,
sentenciando-me dolosamente
Longe da fumaça sedutora do teu cigarro
e do estalo impiedoso do ‘teu chicote’
a marcar minha pele
a lascar minha alma
Longe da confusão enevoada da tua mente,
pelo ócio, pelo álcool e pela erva
Longe da maldosa lâmina cortante
dos teus pensamentos, ao deitar
E da salmoura pesada
das tuas intenções, ao despertar
Trabalho sob corda-bamba
Debruço-me sobre nuvens de tempestade
Iludida por tanto tempo fui capaz de dizer: te amo
Agora não mais, tudo deixei pra trás
Não há mais nome, nem telefone,
Não há voz tua que me alcance
Contigo, a única liberdade possível é o
SILENCIO ...
Vera Celms
CANTANDO ‘VAPOR BARATO’ de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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Comentários (2)
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veracelms
Autor
2019-03-01
Caríssimo Admirador, lisonjeada pelo gratificante comentário. Me encoraja a mostrar mais e mais o meu trabalho. Grande abraço. Volte sempre, volte mais.
Admirador
2019-02-28
Ocasionalmente visito este site em busca de escritos relativamente bons para eu perder meu tempo, no entanto são poucos que me chamam atenção. Eu nunca comentei em qualquer escrito que seja, de absolutamente nenhuma pessoa relatando o quanto gostei da imaginação humana. Olha, eu tenho que 'tirar o chapéu' para você. Excelente poesia. Você está de parabéns!