SEM SAÍDA

Onde estavas que nem me viu, nem me abraçou, nem me sentiu, me ignorou. Os meus lábios não beijou, também a minha face não tocou, nem acariciou. O que te faz ensoberbecer tanto? Há uma mesa cheia de oferendas, há um banquete para todos os desejos, há corações perversos, há janelas de escuridão. Existem caminhos distantes onde os meus braços não alcançarão e os teus pés jamais deixarão o rastro das tuas pegadas. Em meio ao nada, lancei as sementes, um manjar não provarei até que germinem; li os teus olhos, não vi brilho, não há inocência, comeste do banquete, sujaste as tuas vestes, aceitaste as oferendas, estás na prisão voluntária do oculto. Um fruto atraente aos olhos viste, provaste do sabor absintio da traição. Elevaste os teus sentidos, perfumaste a tua alma com o incenso do engano. No meio do nada há uma terra fértil e nascerá uma vide, e os teus frutos crescerão saudáveis, e haverá um grande lagar, e o mosto fermentará. Provar-te-ás do vinho da verdade e se embriagará, e confessar-te-ás e tornar-te-ás ao primeiro amor.
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