Prece do poema
Prestes a não mais temer
nada
temo tornar-me o tempo que me transborda.
Peço, Senhor, que me dê do tempo
a origem das carícias que aprecio:
deixe-me as almas sobre o colo
deixe-me às mãos renunciar
de forma que os cabelos se afaguem
pelos quentes atrativos de meus olhos
seus quentes clamores como são quentes os colos
deixe-me a maternidade sobre os pedaços incorruptíveis
de natureza inanimada.
E deixe-me, por fim, Pai de minhas cordas vivas,
a corrupção das cores
a corrupção dos tempos
e o mármore dos pensamentos
numa pequena sexta disposta sobre as mãos
de quem a mim possa deitar
a alma sobre o colo.
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