ESPERA
Espero que a noite te dispa e conte ao teu corpo
todas as minhas ausências,
todas as minhas carícias,
todos os meus afagos,
todos os meus desesperos.
Espero que a minha voz te possua por entre a multidão
dessas estrelas pequeninas, por entre as flores que nada sabem
e nada esperam de nós.
Que o teu silêncio seja o meu silêncio e que nossos
corpos se fundam num só corpo, material e humano,
mas corpo, profano e nobre.
Espero. Fielmente espero, com toda a carne e sangue
de meu ser desenganado, com todos os meus desejos
de menino, com todas as minhas faltas, a um só tempo
eterno e finito, animal e homem. Dentro da noite
te chamo e em meus sonhos simples és a rosa
mais casta, que reina imortal e colore
a superfície intacta desses estranhos diamantes.
Espero. Dentro de meu corpo espero. E enquanto
lá fora tu tardas, dentro de mim permaneço lúcido,
tímido, sozinho, em silêncio gritando o teu nome.
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