SEM RESERVAS

A branca fumaça que amanheceu o dia
Não veio trazida pelo orvalhado véu
Nem foi velada pela vazante da maré.

Não ache que de repente apareceu do nada
E por nada cansou de ser densa
Como a criança que pensa que alguém
A esquecera na escola ou na porta da sala.

É oriunda do fogo que lambeu a mata
Ferveu riacho, incinerou raiz
Cremou insetos, expulsou a vida.

Agora, já passado esse tempo de estio
Sei que surgirão dentre os aceros
Ruelas e avenidas naquelas moitas cinzentas
Metros e metros de madeiras, lotes e glebas
A serem destocadas e vendidas
Como brilhantes raros nas prateleiras
Além de ampliar as áreas do seu sítio
Sem pecado e sem reservas
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