Certidão de procedência

Certidão de procedência
Qualquer coisa em mim se parece agora mais comigo,
Pálpebras de besta, coração de gente,
Sensação de vácuo omnipresente, amargo
De boca agreste, ombros do tamanho dum touro,
Qualquer coisa em mim pressente que morro,
Que tudo seja fantasia, asseguro que não mudo,
Não mudo as pálpebras para o peito,
Não me iludo com o que antevejo,
Desligo o passo, do real faço absurdo,
Bocejo quanto a boca pode, como forasteiro,
Procedo a uma aceitação das coisas leves,
Indiferente aos valores, nada há que explicar
A um defunto que seja lúcido quanto o ferro
E saiba a sangue ou o prazer que existe
Na dor caseira, hoje é a lembrança que penetro,
Que magoa, plantei os olhos numa maçã
Gamboa, elogio a loucura, gabo-me ao metro
De não ser do que padeço mas da cura,
Vivo com impressão que não me pertenço
Pálpebras de besta, coração de mula,
Em negrito, “New Roman” que mais se pareça
Comigo, salário mísero e sem remédio,
A gula é privilégio da embriaguez de eunucos
E eu procedo do lado duro, sobretudo domino-me
Pela preguiça …
Jorge Santos 04/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Maculável Mulher.
Por onde tu andares , lá estarei junto ... pois sempre que precisares de minha presença - com minhas mãos estendidas te recuperarei. Se…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Haicais sentido
Haicais sentido
Jorge E. Leal
Finjo no verão,
Não ver outras estações,
E curto as nuances. …
Julian Lael
Conluios
conluios maquetas inventários nada a limpo em momento algum ó, ninguém soube dizer como o velho barco ficara na praia por décadas, e de …
Darlan de Matos Cunha
Deep in December
Deep in December Is time to have A white Christmas So that the kids can make Snowman Others will play hockey In the arena Some say that D…
Aldo gabbay kraas