ONDAS DE UMA INFÂNCIA PERDIDA

Vai-se um barco ao mar, se vai uma vida a sonhar, nas ondas que vêm e que vão, no balanço do tempo que se constrói um ladrão. Um filho que nasceu, uma história que se criou, num barco que se afundou, pelas ondas encapeladas, são relatos de vidas frustradas. Uma paixão ironizada por uma educação descabida, desencadeada por uma mãe despercebida, o pai era louco, vida totalmente bandida. O crescimento e a criação de forma desfavorecida, desigualdade social, oportunidades banidas. Um ser precoce abraçado pelo mal, por promessas ilusórias, busca real por coisas fatais, jamais satisfatórias. A perda do pai, brutal e inesperada, a entrega da mãe na esbórnia desenfreada, lançada a sorte, se alimentando à mão armada. Correria, herança criminal paternal herdada, fazendo alianças, territorialidade ampliada. Na atividade, efeito suicida, distante da área protegida, fuga alucinada. Sem medo, guardando os segredos que levam à culpa, disputas, para a guerra sempre encontra desculpas. A identidade preservada pela vida impopular, fama de quebrada. Essas tretas são danadas, acabam saindo por entre os dedos, impossível manter as mãos fechadas, por mais que cerre os dentes sempre a boca não permanece calada. E a língua de veneno se move inquietada pela inveja de parceiros que a muitos janeiros andavam de mãos dadas. Hoje a parada é grande, a informação já foi passada, se acertar esse trabalho, se aposenta como barão, além de deixar bem a maioria dos irmãos. Favelas, redutos, vielas, fortalezas de cabras putos, bandidos são muitos, mas poucos resolutos. Desce agora, corra e ataque, cerque, renda, com piedade não se mate, pilhe e despoje a contento e não pare, seja vento. A carga já foi tomada, dinheirada, dinheirada, saia do campo aberto, já soou a sirene, logo a polícia estará por perto. Trabalho perfeito, tudo como planejara, a alma lavada, o orgulho estreito, com gana bate forte no peito, olho no olho quero o meu e tem de ser do meu jeito. Não acredita em fada, é quem comanda a parada, se tem boca malvada a conversa é mudada. Traído não teve tempo pra nada, o sonho de barão foi acordar na enseada, com os olhos vendados e a boca amordaçada. Os seus inimigos queriam a sua vida tirada, e o prêmio do roubo dividiriam a bolada, portanto tudo tem o seu preço, desde a criancice o engano foi seu berço, na vida de ladrão não conseguiu verdadeiro apreço. Foi deixado para morrer à própria sorte, enganado, nos muitos amigos há sempre um judas, traidor que a alma do próximo desnuda. Desta vez muito alvoroço se fez na cidade, houve buscas incessantes, investigações para elucidar toda a verdade, ninguém escapa, a justiça anda e veste capa, tem olhos vivos e audição de morcegos, os traidores que deem as caras a tapas porque terão terríveis desassossegos. Um a um foram sendo trazidos, fechados nas grades, outros para os jazigos, se acabou a cambada de falsos amigos bandidos.
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