LAMENTAÇÃO

Não há tréguas, já andei léguas,
Escalei montes e cruzei mares.

Fujo às pressas dos rumores,
Intrépidos que vêm de longe.

Deles o rosto não se esconde,
O temor se expande em águas.

O terror é apregoado em tábuas,
Os joelhos se derramam lentos.

A justiça vem aos quatro ventos,
Na terra há imensas desolações.

Um fogo que derrete os corações,
Exércitos de incontáveis multidões.

São iguais enxames de acrídeos,
Que infestam verdes plantações.

Enfraquecendo-as feito pulgões,
Na minha alma o uivo de canídeos.
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