A VÍTIMA

Às vezes queria esconder-me numa densa fortaleza
Para enfrentar todos os medos, mágoas e tormentos
Ficar solitária a meditar para superar essa crueza
Numa briga constante com os meus pensamentos

As vezes queria ser a pedra estática indiferente
Aquela que não ouve, não se sente e nada pensa
Tão robusta e submissa às pisadas de tanta gente
Sem sentir a dor e as palavras ditas com ofensa

As vezes queria destapar toda a sombra desse véu
Mas penso ainda se resistir irei ter lugar no céu
E o tempo, tudo muda, porque tenho amor de sobra

As vezes ainda julgo que é amor, essa impiedade
Por não ter ódio nem experimentar tanta maldade
E pelas desculpas em que o amor se desdobra

18-03-2019 Maria Antonieta Matos
179 Visualizações

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.