MATREIRA

Há um quarto de lua minguante
Outro tanto dela crescente
Uma face bela e tão nova
E uma fase ousada e bem cheia

Tem noite que se retrai
Outras vezes ela incendeia
Perfuma agita e faz troça da terra
Que não sabe se a ama ou odeia

Prende os cabelos, solta as madeixas
Faz juras e queixas, invade as loucuras
Dos rios e dos mares, rasura as margens
Baixa e ergue as marés
Joga palavras, remoinha os ares
Treslouca excitada, extrapola, rebela
Se esconde nas nuvens, se disfarça em estrela
Abre-se inteira, líquida, sem mácula
Se delicia nas águas, goza faceira
E repousa e acalma igual à pétala rosa
Que gangorra cheirosa
Entre o lábio carmim e a língua vermelha

Lua matreira, tão calma e bonita
Tem pena de mim
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