UMA PONTE, LONGA VIAGEM

Eu esperei passar os dias, envelheci, pois se passaram meses e muitos anos, eu odiei a minha espera, mas não eram os meus planos. Quando disseram: há uma ponte para atravessar, ela é longa. Ela liga a um lugar desconhecido, escolham e tomem a suas bagagens e sigam, mas não levem muito, para que porventura no meio da viagem não consigam mais carregar e não possam progredir, não se enfadem e não consigam se livrar delas. Quando alertaram: essa ponte é uma longa viagem e após ela o que os espera pode mudar as vossas vidas para todo o sempre, tudo será diferente, sigam em frente e não olhem para trás, se esforcem, tenham coragem e bom ânimo, lá o bem será permanente. Ao longo do caminho, muitos afoitos que levaram muitas bagagens que acharam serem boas foram se cansando e ficando para trás, começaram então a descartarem o que não servia, mas já estavam minados, velhos, certamente não chegariam ao destino, outros tiveram medo do desconhecido, pararam no meio da ponte e duvidaram se realmente seria algo melhor que os esperava, provavelmente morreriam ali ou voltariam, ainda outros, antes mesmo de chegarem adiante já olharam para trás, desistindo facilmente. Uma grande parte se contendia a respeito e não foi. Alguns tão próximos da chegada também desistiram e não tinham mais forças para voltar, a maioria olhou para trás e ficou incerta, uns se arrastavam, não dariam conta de chegar por causa das aflições, angústias e ansiedades. Do enorme contingente que saiu, poucos, mas, poucos dele, chegaram, atravessaram a ponte com as suas bagagens necessárias que escolheram e jamais olharam para trás, mudaram as suas vidas, seus destinos para melhor alcançando o bem. Partindo do pressuposto de que todos estavam em igual situação de dificuldades seguindo em vida, poucos foram os que conseguiram vencer e se salvar. Aplicando à realidade, a ponte é a viagem longa da vida, as bagagens levadas são os nossos pesos através das nossas próprias escolhas boas ou ruins, os entraves. Pararmos no meio do caminho, duvidarmos e olharmos para trás, é acharmos que na dificuldade que estamos é melhor do que lutarmos por algo que vai melhorar as nossas vidas em todos os sentidos para sempre, descartarmos as bagagens extras é querermos nos livrar das péssimas escolhas que já fizemos, por já estarmos cansados, é tentarmos nos livrar dos problemas sem sabedoria ao longo dos anos, iludindo a nós mesmos, nos impedindo de seguirmos em busca de mudanças, lutamos e não vemos progresso, cansamos e desistimos, nos tornamos ignorantes e cegos. Aqueles que mal caminharam e desistiram é porque escolheram bagagens pesadas demais e pereceram antes de poderem descartá-las. Os que se contenderam e nem foram, são os seus próprios fardos pesados, não conseguem se carregar. A dúvida e o medo são a falta de fé, e as aflições, angústias, e ansiedades em virtude do que se espera à frente, são os empecilhos que nos fazem perder as forças e nunca chegarmos a tempo porque já estamos em dificuldades na vida, para que mais? Nos acomodamos, adoecemos. Aqueles que estão próximos do destino e que desistem sem forças para voltar, são os que cavam um túnel ao longo da vida em busca de pedras preciosas e gastam todos os recursos e perdem as esperanças quando já estão próximos das jazidas, ou seja, por um fator simples que era apenas mais uns poucos metros de escavação, e uns outros vêm sem muitos esforços e as encontram e se alegram e se maravilham porque ficaram ricos por terem gasto quase nada, estavam próximos do destino. Apenas os prudentes e sábios mesmos sendo maus, alcançam os seus objetivos atravessando a ponte com as suas bagagens que escolhem e não olham para trás, não têm medo, nem duvidam ou desistem facilmente, se contendem, se afligem, se angustiam, ficam ansiosos, voltam ou permanecem no mesmo lugar, enquanto eles têm a oportunidade de seguirem vivendo.
165 Visualizações

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.