As papoulas incendiarias
Tínhamos a mesma ocupação
E a opção ao riso, mas tomamos as armas
Com os sonhos que libertávamos as noites para que as sementes florescessem,
Os clarões vermelhos espocavam primaveras,
Viver era agir, sonhar, seria o depois
Era a irremediável crença que se pode destruir apenas o que nos incomoda por fora
Mas a verdade dita, é que, o que nos incomoda vive em nós, dentro
Mas a liberdade está em ser livre,
Sendo absoluto o poder de sonhar
E nós esperávamos a grande primavera florir
E sonhávamos com as papoulas vermelhas,
O campo vasto de colheitas boas,
Mas o vermelho é o que banha o rio
E carrega mais sangue do que flores
A primavera suicida,
As papoulas incendiarias
Mataram os sonhos
Charles Burck
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