Revelação
Vem sentar-se comigo onde os mares desaguam
Como pequenos pirilampos ajeitamos um na parca luz do outro,
Aquieta-te nas minhas insônias, nos cansaços das tardes mornas,
Não desassossegue o tempo, nem o meu coração alquebrado
Nem cante tão alto que o sangue ferva,
Beba os sabores das quietudes da alma que se alonga em meus braços,
É da natureza dos pássaros os voos, mas as penas dos amantes constroem asas em leitos de flores,
Estrelas duplas de vidas secreta a burilar os sentimentos,
A criarem outros leitos de mares entre os nós dos dedos,
Nas ondas que levam a morte para terras distantes,
Os consanguíneos beijos descrevem o que temos, mas não revelam o que somos,
E tu és o meu divino apelo de poemas,
Palavras nunca ditas pelas bocas dos deuses, apenas a minha te reconhece,
Revelados segredos ditos apenas aos teus ouvidos
Charles Burck
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