CHORO

Quando ouvi os cães ladrarem
Acreditei que passaste solta na penumbra
Ganhando o vazio das solitárias ruas
 
Também vaguei por essas mesmas vias
Assim tentado a ir ao teu encontro

Já não estavas lá
Nem a tua voz nem teus olhos negros

Vencemos as distâncias
Mas a vida mais e mais nos distancia
Choramos sem ter nexo
Enfrentando complexos dilemas
Que nos desafiam

Choro em segredo mas sem medo
De chorar

Nos vemos ao menos
Nas instâncias inexatas da poesia
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