SE O VAZIO NUNCA SE ENCHE
Em tempos de ofertar amor, em tempos de conservar a vida, em dias de idas e vindas, nas alturas, nos abismos, no vazio da expansão dos medos, na fomentação dos credos. Quem explica um homem que quer fazer o bem sem segundas intenções? Por que sofrer o dano se não há nenhuma recompensa? Por que o mal também anseia bondade? Se morremos tudo se perde, por que para muitos há uma vida longa de enfados? Deveria ser somente glórias. E isso independe de classe social. Qual é a sua experiência mancebo até ser ancião? Quantas lacunas, espaços em vão, quantos desperdícios sem nenhuma pretensão. Onde irão parar os corpos que se arrastam pelo chão? Desprenderão os seus espíritos e as suas almas gemerão. Não importa se há razão para quem disse crer, para quem disse não. Quais as suas relações com o mundo? Se a medida do profundo nunca enche. Nada preenche as imaginações, os celeiros estão cheios, mas famintos estão os corações, a vida é uma procissão que somente vai adiante, seu prazo finda e nunca é o bastante, envolvida em questões em tempo ou fora de tempo, com alegrias ou desilusões.
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