À BEIRA DO ABISMO

A vida livrou-me dum vasto precipício,
Me via à mercê da cela dum hospício.

Era arrazoar sobre meu extremo,
Para saber meu coração a termo.

Ponta duma torre, cume dum monte,
Nas alturas olhando o horizonte.

A um passo falso que leva ao abismo,
De mente fechada no ceticismo.

Em queda livre com os olhos fechados,
Não saberia explicar os pecados.

O espírito livre e a alma acorrentada,
O veloz poder da luz esbranquiçada.

Não há queda nem mais sofrimento,
Em um corpo vagando ao vento.

Nos membros há sustento e vigor,
A força de uma tormenta de amor.

Em desfavor nenhuma sentença,
Todo amor, a esperança e a crença.

Ipatinga, 27 de junho de 2019
Erimar Santos.
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