Eis que em tuas mãos entrego,
toda a volúpia que amargo nesse sentimento.
Não queiras nem por um momento domina-la,
ela é por ti, mas só a mim pertence este tormento.
Não imagine viver das minhas insônias,
as horas que a pensar em ti dedico.
Pois sofrer de amor é meu alento,
que empresto a ti, mas de forma alguma abdico.
Quero possuir a cada movimento,
do relógio que marca o meu tempo,
o direito, pela angustia que me oprime,
ao prazer por viver em sofrimento.
Já que sofrer é legado de quem ama,
por ser assim, sofredor assíduo, me confesso.
E neste mundo dos amantes assumidos,
preso cativo, renuncio a ser egresso.
Toma então do meu corpo frio,
tudo o que me resta a entregar.
Pois se alma já não mais possuo,
é que a troquei, pelo prazer de amar.
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