Morfologia da solidão

Quando na madrugada uiva o silêncio
Todos os ecos sussurram baixinho com
Medo de acordar a alma que além acocorada
Sossega monitorada por esta tristeza apavorada
Quando na madrugada a escuridão se esvai
Até se perder numa hora absurda e desaforada
As sombras travestem a solidão que dormita numa
Brisa escorrendo na memória impaciente e revigorada
O saboroso gosto das saudades é o mosto que
Embebeda toda a nossa existência, deixando hemorrágicos
Silêncios fundamentar tantos lamentos quase autofágicos
Resgatada a manhã aprimora cada gomo de luz
Pintalgando os filamentos desta solidão sempre analógica
Até estancar a felicidade desta narcisa gargalhada tão morfológica
Frederico de Castro
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