NÃO TEMOS MUITO TEMPO
A minha fala é mansa, os meus olhos humildemente cintilam paz. Os meus gestos são de um puro querer e acolher bem. As minhas mãos, elas seguram firmes o desejo de transformar tudo em virtude. Os meus caminhos indicam a busca pelo imaginável amor que consola a alma. Os meus dizeres proferem vida, palavras que persuadem um coração triste a bater firme por esperanças de sair do mar de tristezas. Os meus dias passam rapidamente feito orvalho que seca ao pôr de um sol forte, exagero, tempos abreviados. Não há engano em mim, não há razão para mentiras. As algemas que me prendem são ilusórias. Foi por amor que eu vim, que eu aceitei mudar, por causa da minha vida ao fim nesse mar. Não tive a intenção de te afogar nesses longos trechos revoltos, sempre te doei fôlego, mesmo remando cansado. O nosso barco se encheu, não eliminamos o que era inconveniente, transbordou-se e se afundou, não morremos nem eu e nem você, mas perdemos tudo, já não havia mais respeito. Sinto falta do início em que as coisas eram belas. Hoje estou a remar noutro barco, em águas tranquilas, em paz. Espero que saia desse mar de tristezas e ilusões, e se estiver também noutro barco, não deixe que ele também se afunde. Ademais, não temos muito tempo, saiba amar.