Escala de Mohs
Cada olhar de faca enferrujada,
É uma estocada, cada vez que a ira
O ignoto desprezo, o juízo sem peso
Me tocam, eu regozijo, esquivo, altivo,
Alimento a distância que nos separa.
Esquecida vara que me açoita, atitude afoita,
O meu passo parece esquecer as grilhetas
E o seu peso ausente, ilusão de não mais preso,
Sentenciado, todavía, todo o santo ou profano dia.
Cada censura perdura em mim numa carapaça,
Uma coisa dura que me ultrapassa,
Não sei o que seja,
Não é que se veja,
Uma subida de Mohs, um salto na escala,
Até que um dia, breve, riscados sereis apenas, afinal, vós!
Que nos leve a ceifadora desta estada breve,
Que nada afinal transpareça do que ora
Se escreve.
Não interessa essa ideia de tantos conteúdos,
Como um velho lord inglês tinha de sobretudos.
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