Simplicidade (o que nos segura?)
A simplicidade,
A humildade de aceitar a distância que nos separa
Mora numa casa térrea desprovida de porta
Onde as janela gradeadas não admitem entradas.
Uma casa onde a vida é uma natureza morta pendurada na sala,
E um habitante enclausurado retira um prazer abjeto de viver à pala.
A simplicidade ronda o inatingível jardim
Quando retorna das suas Andanças só para rir,
Sublinhar com seu esgar sarcástico antes de ir,
Que no teto não chove, lá fora, não existe demora,
Na Pintura na sala, que está para além da moldura
De uma existência morta,
De um coisa torta,
De algo que se não com-porta.
Ou sem grade na janela,
Sempre será um esboço
De memórias em alvoroço,
Uma casa triste onde nenhum personagem existe,
Um telhado onde a chuva chove
Em gotas de abstração, imaginada condensação.
Cai chuva no jardim,
Cai chuva longe de mim,
E não há simplicidade em não saber porque aqui vim.
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