Sede
Um homem (?) tem sede, muita sede.
Sede quase insuportável. Seus lábios já estão
trincados e embranquecidos, a língua grossa, viscosa
e pastosa, os olhos, baços. É líquida e certa a única
alternativa contra o fim para este homem (?)
gerado, nascido e criado na mais inóspita das
regiões. Uma região labiríntica onde ele, agora,
vê-se completa e irremediavelmente só.
Água! Água! Água... água...
Inconscientemente refletida no embaciado olhar do
homem (?), ao longe uma mínima poça com algumas
gotas do líquido. Ele sabe que em outras regiões existe
água, muita água, água em abundância sendo mal
cuidada, desperdiçada, jogada fora. Mas só lhe basta
naquele momento a pocinha que ele parece ver,
um mental resíduo da água que lhe furtaram durante
a vida inteira. Rastejando, o homem (?)
tenta se aproximar da mínima fonte. Mas à sua frente
surge o vulto de um homem (!), este bem vestido e
com a fome e a sede saciadas. Este homem (!)
lhe promete ajuda para que aquela pocinha d'água
fique ao alcance dos seus lábios.
Mas ele terá que pagar pela ajuda. Sem ter algum
dinheiro, o homem (?) ouve que pode ser uma troca,
uma barganha, uma promessa. Uma promessa de
barganha, um juramento de troca e de entrega.
Naquele momento o homem (?) concordaria com
qualquer oferta, por mais insidiosa que fosse.
Ele já não via e no seu estado nem conseguiria
ver nenhuma outra forma de escapar.
Mas escapar do quê? Ele não percebia, a sede
não lhe permitia perceber qual seria o seu destino
ao "assinar" aquele acordo.
O único destino que a mente do homem (?)
descortinava era aquele caso ela não conseguisse
água. E naquela terrível situação ele não conseguia
mesmo decidir qual destino escolher.
Sede! Sede! Sede! Sede quase insuportável!
Os lábios trincados e embranquecidos, a língua
grossa, viscosa e pastosa, os olhos baços...
e uma minúscula pocinha de água naquela
árida imensidão.
E entre aquele homem (?) e a salvadora visão,
do líquida, um outro homem (!), esperando
pela resposta.
Diante de tal situação, o que vale a alma de um
homem (?) com os lábios trincados e embranquecidos,
a língua grossa, viscosa e pastosa, os olhos baços?
Sua alma valeria mais do que algumas
míseras gotinhas de água?
Sede quase insuportável. Seus lábios já estão
trincados e embranquecidos, a língua grossa, viscosa
e pastosa, os olhos, baços. É líquida e certa a única
alternativa contra o fim para este homem (?)
gerado, nascido e criado na mais inóspita das
regiões. Uma região labiríntica onde ele, agora,
vê-se completa e irremediavelmente só.
Água! Água! Água... água...
Inconscientemente refletida no embaciado olhar do
homem (?), ao longe uma mínima poça com algumas
gotas do líquido. Ele sabe que em outras regiões existe
água, muita água, água em abundância sendo mal
cuidada, desperdiçada, jogada fora. Mas só lhe basta
naquele momento a pocinha que ele parece ver,
um mental resíduo da água que lhe furtaram durante
a vida inteira. Rastejando, o homem (?)
tenta se aproximar da mínima fonte. Mas à sua frente
surge o vulto de um homem (!), este bem vestido e
com a fome e a sede saciadas. Este homem (!)
lhe promete ajuda para que aquela pocinha d'água
fique ao alcance dos seus lábios.
Mas ele terá que pagar pela ajuda. Sem ter algum
dinheiro, o homem (?) ouve que pode ser uma troca,
uma barganha, uma promessa. Uma promessa de
barganha, um juramento de troca e de entrega.
Naquele momento o homem (?) concordaria com
qualquer oferta, por mais insidiosa que fosse.
Ele já não via e no seu estado nem conseguiria
ver nenhuma outra forma de escapar.
Mas escapar do quê? Ele não percebia, a sede
não lhe permitia perceber qual seria o seu destino
ao "assinar" aquele acordo.
O único destino que a mente do homem (?)
descortinava era aquele caso ela não conseguisse
água. E naquela terrível situação ele não conseguia
mesmo decidir qual destino escolher.
Sede! Sede! Sede! Sede quase insuportável!
Os lábios trincados e embranquecidos, a língua
grossa, viscosa e pastosa, os olhos baços...
e uma minúscula pocinha de água naquela
árida imensidão.
E entre aquele homem (?) e a salvadora visão,
do líquida, um outro homem (!), esperando
pela resposta.
Diante de tal situação, o que vale a alma de um
homem (?) com os lábios trincados e embranquecidos,
a língua grossa, viscosa e pastosa, os olhos baços?
Sua alma valeria mais do que algumas
míseras gotinhas de água?
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