Outro luar
Outro luar, outro lugar, outro amor...
E assim a vida segue se esgueirando nas paredes do tempo,
Enquanto os ponteiros do relógio brincam ao construírem dias sem sol,
Em tempos outonados de brisas, tão perenes quanto inexpressivos.
Apenas em minhas lembranças, resta um pouco do sol do verão.
Brilho languido que gravei, entalhado na lembrança, do teu ultimo sorriso.
E outros sorrisos virão, e com eles novas estações do ano se farão passar,
Uma a uma, outra após outra, sistemática e matematicamente previsíveis,
Assim como previsível é a vida, assim como é presumível a morte.
O sol que nasce aqui é o mesmo que nascia acolá.
Mas tudo o que me cerca é diferente e novo. Eu sou diferente.
Sou agora um apanhado do que fui de melhor na vida que ficou para trás.
Separei erros e desencantos e os descartei para fora do que me resta viver.
Não desejo mais as mesmas coisas. Não possuo as mesmas ansiedades de antes.
O espaço em meu coração ficou apequenado.
Ainda guardo dentro dele muito do amor que se fez imortal até seu último momento.
Meus sonhos já não carregam expectativas. Apenas passam, como se filmes fossem.
Estarão em cartaz na tela tosca das noites de caminhar e esquecer, que me aguardam,
Ao lado dessa estrada infinita e escura ladrilhada por pequenas pérolas: As saudades...
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