O fascínio dos desassossegos

A solidão que até então permanecia opiácea sucumbiu
Na imensidão cósmica, percorrendo a via láctea onde
A luz depois empalideceu numa escuridão quase cretácea
É este o fascínio dos meus desassossegos…
Nada mais é la vie en rose ,porque o futuro tragicómico
Resigna de vez no alter ego de um clamor anónimo
Mescla-se assim a rubra solidão muito dissimulada
Com uma memória mastigada, debochada, recheando
Minha saudade devoradora de emoções tão equivocadas
Perdido num silêncio inacabado cada lamento fenece
Desgarrado, deixando na penúria a alma divagando
Sob o efeito de um brado clamando quase esventrado
Frederico de Castro
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