LA NOCHE DEL TERROR CIEGO

No súbito abandono, o lugar se manteve coeso
e todos os campos se incendiaram.
Não havia mais paisagens lógicas
ou vulnerabilidade escondida em lamento.
Sabíamos que um gesto seria o suficiente
para todas as coisas imperfeitas se afirmarem.

Aceitávamos, tranquilamente,
o movimento obsceno da boca, o choro atrás da parede,
as sombras que um dia seriam nossas.

Os nomes estavam nos mesmos lugares de antes
e o desprezo ainda cobria tudo,
inclusive o corpo esquecido na varanda,
o vidro trincado da janela.

É possível ver através da pele sem se guiar pela noite?
Sempre há o temor de se perder
em meio ao frio da madrugada, de aceitar a água
como a única ferida que as bocas talharam.

Víamos nossos reflexos na tv
e não nos incomodávamos.
Os olhos eram apenas imagens
e o mar nunca nos ensinou o quanto devíamos
nos afastar dos espelhos
ou como enterrar os mortos na areia.

As coisas continuam por serem feitas
e as mãos queimadas, reluzindo sobre o concreto,
não dizem em qual teste erraram.
Estão distantes, diferentes de nós,
desatadas de nossos corpos,
apontando para considerações desnecessárias.
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La noche del terror ciego
La noche del terror ciego
2019-08-22

Espetacular, senti até um arrepio